sábado, 8 de agosto de 2009

BLACKWATER...

Advogados trocam acusações sobre papel de Blackwater no Iraque
Daniel Dombey
em Washington (EUA)

Em um tribunal norte-americano na cidade colonial de Alexandria, advogados estão trocando acusações -inclusive de contrabando de armas, ameaças de morte e ódio ao islamismo- sobre um dos momentos mais traumáticos da guerra do Iraque.

O alvo de muitas das acusações é a Blackwater, empresa de segurança privada hoje conhecida como Xe, que perdeu sua licença para operar no Iraque após 17 iraquianos serem mortos em um tiroteio na praça Nisour, em Bagdá.

Enquanto o Departamento de Justiça americano acusa de homicídio cinco antigos prestadores de serviço da Blackwater no Texas, o caso na Virgínia é civil, promovido a partir de acusações de sobreviventes e das famílias enlutadas, contra a própria Blackwater.

Nos últimos dias, os argumentos do caso de Virgínia foram ofuscados por dois depoimentos anônimos de cidadãos americanos que, em nome dos querelantes, alegam terem testemunhado crimes cometidos pela Blackwater e seu fundador, Erik Prince. Este deixou o cargo de diretor executivo neste ano, mas ainda é membro do conselho.

"Cidadão 1" diz ter entrado na Blackwater depois de ser liberado do serviço aos marines. Ele explica porque preferiu ficar anônimo: "Temo a violência contra mim em retaliação por submeter esta declaração... descobri com meus colegas da Blackwater e com antigos colegas que pessoas forneceram ou planejavam fornecer informações sobre Erik Prince e a Blackwater foram mortas em circunstâncias suspeitas."

"Cidadão 2" já faz acusações diretas: "Em várias ocasiões após minha partida do serviço do Sr. Prince, seus administradores me ameaçaram pessoalmente de morte e violência".

A empresa com base na Carolina do Norte não respondeu a pedidos de esclarecimentos.

Entretanto, em um memorando levado ao tribunal nesta semana em apoio à moção dos réus para limitar os comentários extrajudiciais dos promotores, seus advogados chamaram os documentos de "afirmativas obscenas que, mesmo que fossem verdadeiras, seriam absolutamente irrelevantes para qualquer questão diante deste tribunal". Além disso, denunciaram a "campanha para que este caso seja julgado pela mídia e o impacto resultante prejudicial para os potenciais jurados".

O memorando acrescenta: "A promotoria simplesmente se envolveu em uma campanha organizada para fomentar a cobertura da imprensa das alegações inflamatórias e não substanciadas contidas nos depoimentos dos 'cidadãos'."

Em seu depoimento, "Cidadão 1" alega que a Blackwater usou sacos de ração para contrabandear armas para o Iraque e "sabia que parte de seu pessoal usava de força excessiva, injustificada e fatal intencionalmente" e não fez nada para detê-los. Ele conta três incidentes nos quais os funcionários da Blackwater atiraram sem motivo contra carros iraquianos, com resultados fatais. Ele disse que os incidentes foram filmados, mas que os funcionários da empresa apagaram as fitas.

"Cidadão 2" alega que Prince operava uma rede de empresas para "esconder as contravenções, fraudes e outros crimes... de forma a evitar a detecção de esquemas de lavagem de dinheiro e de evasão de impostos". Ele acrescenta que Prince se "considera um cruzado cristão com a tarefa de eliminar os muçulmanos e a fé islâmica do mundo e que enviou intencionalmente determinadas pessoas que compartilhavam sua visão de supremacia cristã ao Iraque, sabendo e querendo que esses homens usassem todas as oportunidades disponíveis para matar os iraquianos".

Em uma observação bizarra, o depoimento do "Cidadão 2" diz: "Muitos desses homens usavam sinais dos Cavaleiros Templários, guerreiros que lutaram nas cruzadas". Além disso, o documento refere-se à "troca de mulheres e um círculo sexual" dirigido pelas "operações da Carolina do Norte do Sr. Prince".

Os réus -inclusive empresas da Blackwater e o próprio Prince- argumentaram que os querelantes não têm evidências e usam "alegações sensacionalistas e sem fundamentos" para induzir os jurados a preconceitos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

FBI, o legítimo, usa algemas em presos! Enquanto isso no Brasil...


Dois prefeitos de cidades de Nova Jersey e um legislador estadual, assim como vários rabinos desse estado e do vizinho de Nova York foram detidos hoje (24 JUL 2009) em uma operação contra a corrupção e a lavagem de dinheiro em nível internacional.

Os prefeitos detidos por agentes do FBI (polícia federal americana) são Peter Cammarano (de Hoboken) e Dennis Elwell (de Secaucus), enquanto o legislador republicano por esse estado que também foi detido é Daniel Van Pelt, afirmou a Procuradoria de Nova Jersey.

Também foi detida Leona Beldini, vice-prefeita de Jersey City, informou a mesma fonte, que afirmou que a operação levou à detenção de cerca de 30 pessoas, incluindo vários rabinos de Nova York e de Nova Jersey.

"Os nomes e cargos das pessoas detidas hoje soam como uma lista de participantes de um encontro entre líderes comunitários, mas infelizmente esses indivíduos não se encontravam em uma sala de reuniões, mas nas dependências do FBI", disse o agente especial encarregado da operação, Weysan Dun.

O presidente do Conselho Municipal de Jersey City, Mariano Vega, também foi levado aos escritórios do FBI em Newark, informa o jornal "The Star-Ledger" em sua versão on-line.

"Esta investigação identificou mais uma rede de corrupção na qual participavam funcionários públicos que queriam obter dinheiro em troca de favores políticos", afirmou o fiscal federal de Nova Jersey, Ralph Marra.

Centenas de horas de gravações mostram a ação dos detidos em uma operação que, segundo Marra, prova que, "a corrupção estava muito estendida, era onipresente".

As detenções fazem parte de uma investigação sobre essas ações de corrupção e lavagem de dinheiro que poderia ser de vários milhões de dólares, e que os envolvidos teriam realizado durante pelo menos uma década.

Agentes do FBI, do Serviço de Renda Interna (IRS, em inglês) e que dependem do Departamento do Tesouro, assim como da Procuradoria do condado de Monmouth trabalharam durante dois anos para realizar estas detenções, afirmou o jornal.

Joseph Hayden, advogado do prefeito de Hoboken, disse que seu cliente não está envolvido em nenhuma atividade criminosa, segundo o jornal.

Clique aqui e veja as fotos da operação policial do FBI.

Fonte: UOL Notícias

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Polícia Federal testa o 'V A N T'

Polícia Federal testa nova aeronave para vigilância no Paraná

A Polícia Federal iniciou nesta quarta-feira (15 JUL 2009), na Tríplice Fronteira (Paraná), a fase de testes de uma aeronave não tripulada que será usada para vigilância em ações de repressão ao crime ao longo da faixa de fronteira, na região oeste do Estado.

O veículo aéreo não-tripulado (VANT) foi adquirido em meio ao programa de aparelhamento da Polícia Federal, por US$ 20 milhões -cerca de R$ 40 milhões. A PF afirma ser a primeira polícia no mundo a utilizar o equipamento com o fim de inteligência -hoje, ele é operado como veículo armado por forças militares. Um voo experimental está programado para esta tarde.

A aeronave possui binóculos de visão noturna e é controlada remotamente em terra. Câmeras permitem visualizar de grande altitude o movimento de veículos e pedestres.

São 10 metros de envergadura e autonomia de voo de mais de 20 horas. Mais duas aeronaves como esta deverão ser adquiridas pela Polícia Federal, perfazendo um total de três.

Não há um prazo final para a fase de testes, que mobiliza Agentes de Polícia Federal da fronteira e de Brasília. A aeronave também ajudará a coibir crimes ambientais na região do Parque Nacional do Iguaçu.

O lançamento oficial acontece no próximo dia 23 de julho de 2009, com a presença do Ministro da Justiça Tarso Genro.

Fonte: UOL Notícias

sábado, 27 de junho de 2009

Morte de agente de Polícia Federal em Mato Grosso

Faleceu na madrugada desta quinta-feira, 25 de junho de 2009, o agente de Polícia Federal Carlos Augusto Durans Rocha, 31. O agente era lotado na Delegacia da Polícia Federal em Guaíra e estava em missão Policial na Operação Arco de Fogo, na cidade de Sinop, Mato Grosso. Carlos Augusto faleceu vítima de um acidente depois do capotamento da viatura que ocupava. O velório e o enterro serão realizados na cidade de Aracaju, em Sergipe.

O diretor de Proteção Ambiental, Luciano Evaristo, lamentou em nota abaixo a morte do agente da Polícia Federal Carlos Augusto Durans Rocha, que participava de operação de combate ao desmatamento da Amazônia.

Nota de falecimento

É com imenso pesar que a Diretoria de Proteção Ambiental - Dipro comunica a morte do agente da Polícia Federal Carlos Augusto Durans Rocha, ocorrido na manhã de ontem (25 de junho de 2009), em acidente de carro, no município de Sinop/MT durante a Operação Arco de Fogo, executada em parceria com o Ibama.

O agente Carlos Augusto fazia parte das Forças Federais reunidas no combate ao Desmatamento da Amazônia e atuava junto com nossos companheiros do Ibama na linha de frente no norte do Mato Grosso.

A fiscalização do Ibama, consternada, encaminha a seus familiares os pêsames pela morte prematura do agente e agradece pelo trabalho desenvolvido pelo seu ente querido em prol da defesa da Amazônia Brasileira.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Perseguição ? Contra quem ?

DIREITOS HUMANOS
Estado brasileiro é responsável por perseguição política na ditadura, diz STJ
Da Redação - 04/05/2009


O Estado brasileiro é responsável pelas conseqüências de prisões e perseguições políticas ocorridas durante o regime militar e a ação para reparar esses danos é imprescritível.

A decisão histórica partiu da 1ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ao manter sentença que condenou a União a indenizar em R$ 100 mil a família de um ex-vereador do município de Rolândia (PR), preso e encarcerado durante meses pelo Dops (Delegacia de Ordem Política e Social), em 1964.

De acordo com informações do STJ, o julgamento do recurso contra a condenação foi marcado pelo debate sobre o respeito aos direitos humanos. O ministro Luiz Fux destacou que a proteção à dignidade da pessoa humana é um fundamento da República, que deve ser defendido enquanto ela existir.

“O reconhecimento da dignidade humana é fundamento da liberdade, da justiça e da paz, razão por que a Declaração Universal inaugura seu regramento superior estabelecendo no art. 1.º que ‘todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos’”, afirmou o ministro.

Fux destacou que, por esse motivo, não há como se falar em prescrição, uma vez que a Constituição não estabeleceu qualquer prazo relativo ao direito inalienável à dignidade.

O relator, que teve seu voto seguido pela maioria dos ministros, também considerou inquestionável a responsabilidade da União pelas consequências da prisão política. Mesmo não cabendo ao STJ reavaliar provas em recurso especial, Fux fez questão de ressaltar que a decisão da Justiça Federal do Paraná está bem fundamentada.

A ação foi movida pelas filhas de um médico eleito duas vezes vereador do município de Rolândia, no interior do Paraná. Em 1964, um ano após sua reeleição, ele foi preso por agentes do Dops e mantido em um quartel do Exército em Londrina.

Depois de solto, passou a sofrer depressão, abandonou manifestações políticas e cedeu ao alcoolismo, que levou a sua desmoralização e morte, em 1984.

Fonte: Última Instância

terça-feira, 7 de abril de 2009

Palavras do General Mourão na década de 70 !

"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso".
(Olympio Mourão Filho. Memórias: a verdade de um revolucionário. Porto Alegre, L&PM, 1978, pág. 16.)

terça-feira, 31 de março de 2009

31 de Março - Aniversário da Revolução Democrática de 1964

PARABÉNS AOS HERÓIS MILITARES PELO DIA 31 DE MARÇO DE 1964, DATA DA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA, A SER COMEMORADA EM TODAS AS UNIDADES MILITARES DO BRASIL, ESPECIALMENTE NO CLUBE MILITAR - RJ, PRESIDIDO PELO GEN GILBERTO FIGUEIREDO.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Morte de Policial Federal na Bahia

Cinco homens foram mortos em confrontos a tiros com policiais na comunidade Nova Divinéia, IAPI, pouco mais de uma hora depois de o Policial Federal Leonardo Maia Fonseca, 30 anos, ter sido assassinado por integrantes de uma quadrilha de traficantes de drogas, na tarde de quarta-feira, dia 04/03/2009. A morte do Agente de Polícia Federal levou um aparato de 120 policiais civis, militares e federais a efetuar incursões pela região em busca dos homicidas.

Segundo o Delegado Nilton Borba, que representou o Departamento de Crimes contra o Patrimônio (DDCP), da Polícia Civil, na procura de suspeitos, Fonseca foi ao local, acompanhado de dois outros Agentes Federais, para entregar uma intimação “referente a crime eleitoral”, por volta de 16 horas. Ao subir uma viela, três bandidos teriam avistado o policial com uma arma na cintura, atirando contra ele.

Fonseca foi atingido duas vezes no tórax, mas conseguiu alvejar um dos atiradores, conforme informação do delegado Borba. Identificado apenas como Poliana, o baleado foi levado ao Hospital Geral do Estado por uma guarnição da PM, mas chegou morto à unidade. Socorrido pelos colegas, que também abriram fogo contra os criminosos, Fonseca deu entrada já sem vida no Hospital Ernesto Simões, no Pau Miúdo.

Com a notícia do óbito, o cerco policial foi montado em toda Nova Divinéia. Travessas que ligam o fim de linha do IAPI à Avenida San Martin, como a 3 de Junho e Bom Jesus da Lapa, foram tomadas por militares de diversas companhias e do Batalhão de Choque, Policiais Civis de delegacias especializadas e de outros bairros e uma equipe com pelo menos 20 Policiais Federais. Um helicóptero da PM também foi empregado na ação.

Com armamento pesado, os policiais fecharam becos e invadiram casas, realizando uma verdadeira varredura na área. Visivelmente assustados, moradores buscaram se recolher em suas residências, limitando-se a acompanhar o fluxo de policiais de armas em punho por trás das grades das janelas. Em pouco mais de uma hora de incursões, os policiais já haviam baleado mais quatro suspeitos.

Segundo o delegado Borba, um deles foi identificado como Tadeu Silva Nunes, que seria o líder do tráfico de drogas na Nova Divinéia. “Tadeu foi um dos que atiraram no Federal. O irmão dele, Adriano Silva Nunes, está sendo conduzido para prestar esclarecimentos e já confirmou que o irmão atirou na vítima”, atestou o delegado. Outros dois mortos foram identificados apenas como Joilson e Neto.

O quinto morto nos alegados tiroteios foi identificado, de forma extraoficial, como Welington Santos Nunes. Por volta de 19 horas, uma mulher chegou ao Hospital Ernesto Simões gritando e dizendo ser mãe de Welington – que, segundo ela, “estava em casa e foi morto sem ter nada a ver”. A mulher não se identificou e chegou a ameaçar profissionais de imprensa de agressão.

Fonte: A Tarde

terça-feira, 3 de março de 2009

Oficiais do Exército ? Será ?

Oficiais do Exército podem estar envolvidos em contrabando de armas

Passava pouco das 11 horas da Quarta-feira de Cinzas (25/02/2009) quando um tiro de pistola 9 milímetros ecoou no corredor do 3º andar do prédio do Comando do Exército, em plena Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Sobre o piso de madeira, caiu o corpo do Subtenente José Ronaldo Amorim, 46 anos completados na semana anterior. Para a Polícia Civil do Distrito Federal, chamada minutos depois, não há dúvida: foi suicídio. O Subtenente Amorim, como era conhecido, disparou contra a própria cabeça, com a arma oficial que usava em serviço.

À primeira vista, poderia parecer mais um entre os recorrentes casos de suicídio nas fileiras do Exército. Mas não era. O Subtenente Amorim respondia a um inquérito policial militar explosivo. A investigação, que corre em segredo, destina-se a mapear o funcionamento de uma máfia, com personagens de dentro e de fora do Exército, montada para desviar armas que deveriam estar bem protegidas nos depósitos da corporação.

As armas desviadas, em sua maioria, são aquelas recolhidas nas campanhas de desarmamento promovidas pelos poderes públicos. Por lei, elas devem ser entregues ao Exército para ser destruídas. O problema é que nem todas são inutilizadas. A máfia em atuação na caserna arquitetou um eficiente esquema para retirar armas dali e repassá-las para o mercado negro, em troca de dinheiro. É um desvio duplamente perigoso. As armas deveriam sair de circulação, contribuindo para a redução da violência. Mas acabam voltando para as ruas – e muitas delas vão para as mãos de traficantes de armas que abastecem o mundo do crime.

ÉPOCA ouviu militares que conhecem por dentro o funcionamento da máfia, que teria a participação também de oficiais. Dentro do Exército, o esquema tem como endereço as seções do SFPC, sigla que denomina o Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados. Espalhadas por todo o país, essas seções têm a tarefa de orientar, controlar e fiscalizar desde a fabricação até o transporte de armas, munições e explosivos em geral – atribuições exclusivas do Exército.

O desvio se dá em duas frentes. Uma delas é a retirada, pura e simples, de armas e munições guardadas nos depósitos para onde são destinados os carregamentos de armas recolhidas nas campanhas de desarmamento. A outra se dá de maneira um pouco mais sofisticada. Antes de registrar em computador as armas que chegam ao setor, e que deveriam ser igualmente destruídas, os militares envolvidos simulam doações a supostos colecionadores, autorizados pelo próprio Exército. É uma maneira de fazer com que a arma volte a circular, inclusive com ares de legalidade. O colecionador pode repassar a arma, em seguida, a terceiros. Há casos em que os colecionadores que recebem as armas são militares. “O destino final dessas armas a gente sabe bem. Não precisa ir muito longe para descobrir como chegam armas para os traficantes nos morros do Rio de Janeiro”, afirma um dos militares entrevistados por ÉPOCA.

Há quase três décadas no Exército, o Subtenente Amorim trabalhou durante dois anos no SFPC da 11ªRegião Militar, que tem sede em Brasília e jurisdição sobre Goiás, Tocantins e o Triângulo Mineiro, além do Distrito Federal. Seu envolvimento com o desvio de armas foi revelado durante uma inspeção interna feita pelo Exército em Goiânia, no ano passado. O Subtenente recebera a informação de que, no SFPC goiano, havia um lote de armas entregue pela família de um Capitão aposentado recém-falecido. Com a ajuda de um colega da seção, Amorim registrou em seu nome uma suposta doação das armas. Para isso, usou de uma das artimanhas do esquema: ele próprio tinha seu registro de colecionador. Constatada a fraude, o Subtenente foi, em seguida, afastado do SFPC. Estava exercendo funções burocráticas na seção de saúde do Comando Militar do Planalto, que funciona no mesmo prédio do comando do Exército.

A descoberta do desvio originou a abertura de um inquérito policial militar. De pronto, a investigação passou a mirar não apenas no Subtenente Amorim, mas também no colega de Goiás que lhe repassou as armas, o Subtenente Piccoli. “É a tentação do dinheiro fácil”, diz um General que acompanha o desenrolar da investigação. “O sujeito às vezes está endividado e vê uma oportunidade de ganhar um dinheiro extra cometendo esse tipo de crime.” Parecia ser exatamente esse o caso do Subtenente Amorim. Ele acumulava dívidas na praça. Estava com o nome inscrito nos registros de cheques devolvidos por falta de fundos. A investigação interna do Exército mostrou que o esquema de desvio de armas lhe rendeu um complemento na renda. “Temos elementos que mostram que, só nos últimos meses, ele vendeu R$ 14 mil em armas desviadas”, afirma o General. O soldo de um subtenente é de R$ 4.500 brutos.

Originário da Arma de Cavalaria e pernambucano de nascimento, o Subtenente Amorim, casado, pai de três filhos, carregava no uniforme o brevê de paraquedista, prova de que passou pelos piores testes de resistência física e psíquica da caserna. Mas a investigação se transformou num fardo pesado demais para ele, que passou a enfrentar um conflito pessoal, segundo o depoimento de amigos. Por um lado, Amorim já tinha percebido que o inquérito militar o havia emparedado. Seu emprego no Exército estava a prêmio. Por outro, movido por um dever de lealdade, Amorim não queria delatar outros militares e civis envolvidos nem se submeter ao risco de enredar oficiais na investigação. Segundo pessoas próximas a ele, esse era o caminho que lhe restava caso quisesse evitar punições maiores. Dias antes de se suicidar, o Subtenente conversou sobre o assunto com amigos civis e militares. Mostrou documentos e cópias de e-mails que, em sua visão, poderiam ser seu resguardo. A alguns desses amigos, o Subtenente entregou cópia dos papéis.

ÉPOCA teve acesso ao material (leia o quadro abaixo). Entre os e-mails, há alguns que, além de explicitar a participação do Subtenente no esquema, indicam nomes de outros envolvidos. Um dos interlocutores frequentes do sSbtenente é um colega de farda identificado como André Gama, que havia trabalhado no SFPC num passado recente. Nas mensagens, Gama demonstra conhecer bem o funcionamento do esquema. Em dezembro do ano passado, o Subtenente Amorim escreveu ao amigo. “Estou passando por maus momentos”, dizia, ao informar o amigo da existência da investigação. Na resposta, Gama sugeria que Amorim partisse para o contra-ataque. “Lembra do caso que [sic] a Polícia Federal apreendeu mais de 6 mil (seis mil) cartuchos com um estrangeiro e envolvia um Coronel da Reserva e um General?????”, escreveu ele. “O caso era para ser enviado para a auditoria militar etc., mas o General Davi não quis enviar”, emendou.

A ideia era contra-atacar com o argumento de que, quando as irregularidades envolvem oficiais de alta patente, as investigações não prosseguem. O General Davi a que o militar se refere é Paulo Davi de Barros Lima, Comandante da 11a Região Militar, a quem o Subtenente estava subordinado. O episódio em questão se deu em 2007. Diz respeito à importação de munições, operação que também está submetida ao crivo do SFPC. Em nota, o Exército informou que o General Davi não levou o caso adiante porque a Polícia Federal teria concluído depois que não houve irregularidade na importação das munições.

As mensagens também revelam ligações do esquema com empresas que vendem e transportam armamentos. Uma delas é a Kammel, uma casa de produtos para caça e pesca de Taguatinga, cidade-satélite de Brasília, que também vende armas e munições. Em tom de camaradagem, o Subtenente trocava e-mails com o dono da empresa, Ismail Kamel Abdul Hak, que lhe repassava incumbências a serem resolvidas na seção de produtos controlados do Exército, como liberações para transporte de armamentos. “Não tive ligação espúria com quem quer que seja. Minha loja é autorizada pelo Exército. O Amorim era um amigo e era muito honesto”, diz Hak.

Os papéis revelam a existência de uma azeitada rede de troca de favores – entre os militares envolvidos no desvio de armas e entre eles e gente de fora do Exército. O problema é crônico. O Exército tenta implantar um rodízio permanente no SFPC para evitar os desvios. Mas não funciona – e, às vezes, o próprio comando deixa de punir para evitar maiores desgastes. Um caso exemplar é do Subtenente André Mitchell. Quando passou pelo SFPC, anos atrás, ele também esteve no centro de suspeitas. Mas não chegou a ser punido. As razões aparecem numa gravação em poder do Ministério Público Federal. A um subordinado, que gravou a conversa, o General Adhemar da Costa Machado, na ocasião comandante da região militar de Brasília, diz que preferiu mudar o Subtenente de unidade para preservá-lo. “O Mitchell tem uma caminhonete que nós não temos. Ele diz que o irmão dele deu. Mas o pessoal invejoso diz: ‘Olha lá a caminhonete do Mitchell’”, afirma o General. “Eu, General, não tenho condições de ter uma caminhonete, juro para você. Agora, ao longo dos dois anos que serviu aqui, o Mitchell cumpriu a missão, foi um curinga (...) Eu tirei o Mitchell para preservá-lo”, diz Adhemar. “Trabalhei no SFPC por 14 anos e minha ficha só tem elogios. A minha caminhonete é uma Blazer velha”, diz o Subtenente Mitchell.

O caso do Subtenente Amorim pode mostrar que as providências para evitar os desvios nem sempre seguem as mesmas regras. “Ele estava sendo perseguido indevidamente. Essa história envolve gente graúda. Queremos ver agora se também vão atrás desses”, disse a ÉPOCA um familiar do Subtenente. Na nota enviada à revista, o Comando Militar do Planalto diz que tem sido rigoroso. “O Exército não pactua com nenhum tipo de irregularidade e apura todas as denúncias com o máximo rigor”, diz o texto. Agora, com o problema exposto, os desvios deverão ser apurados também pelo Ministério Público Federal. Será uma boa oportunidade para saber se serão investigadas apenas denúncias contra um militar morto ou se o problema do desvio de armas no Exército será solucionado.

Os indícios que apontam para um esquema
Troca de mensagens sugere envolvimento de mais militares
1 O Subtenente Amorim diz a um colega de farda que estava sendo alvo de investigação. Pelo teor dos e-mails, o colega conhecia o funcionamento do esquema. Na resposta (abaixo), ele sugere ao Subtenente que use em sua defesa outro episódio de desvio de munições, que envolveu um General e um Coronel da Reserva. Nesse caso, a investigação não teria prosseguido
2 Neste e-mail, o Subtenente Amorim se mostra prestativo em atender o empresário
Ismail Kamel Abdul Hak, dono de uma loja de armas em Brasília. Como vendedor
de armas, o empresário tinha interesses no setor onde o subtenente trabalhava
3 O Subtenente Amorim e seus contatos trocam informações sobre o cadastro
de armas do Exército: era preciso dar ares de legalidade aos desvios
Fonte: Revista Época

domingo, 1 de março de 2009

Peritos Federais mortos em Manaus são enterrados

Corpo de perito morto na explosão do laboratório da PF de Manaus é enterrado

O corpo do perito Maurício Barreto da Silva Júnior --vítima da explosão no laboratório no prédio da sede da Polícia Federal em Manaus (AM)-- foi enterrado na manhã deste domingo, 01/03/2009, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região metropolitana de Recife (PE).

Familiares e amigos da vítima se reuniram durante a madrugada no mesmo local para velar o corpo. O perito morreu por volta das 14h (horário de Brasília) de ontem (28/02/2009). Ele passou por cirurgia na sexta-feira (27), mas não resistiu aos ferimentos. O perito estava internado desde a noite da última sexta.

Além de Maurício, outros dois peritos --Max Neves Nunes e Antônio Carlos de Oliveira-- também estavam no laboratório no momento da explosão. Um quarto perito ficou ferido.

Nunes morreu na tarde de sábado. A equipe médica do Hospital 28 de Agosto realizou uma cirurgia no paciente na sexta e disse que fez tudo que era possível para tentar salvar a vida da vítima. Seu corpo foi para Santarém, no Pará, onde será enterrado.

O corpo de Oliveira --morto na sexta-feira-- foi velado na Câmara Municipal de Manaus e enterrado na cidade na tarde de sábado. Ele também foi levado ao hospital e morreu na sexta-feira.

Ferido

O Perito Criminal Federal Marcos Antônio Mota Ferreira, que estava em uma sala ao lado no momento da explosão no laboratório da Polícia Federal em Manaus (AM) na sexta (27), também ficou ferido, e recebeu alta após ser medicado.

Ele disse que não lembra de muitos detalhes do acidente que matou três pessoas e o deixou ferido.

"Foi tudo muito rápido na hora da explosão. Tudo ficou escuro, tudo estava caindo, os objetos caindo, a divisória da parede explodindo, é só o que eu me lembro", disse Ferreira.

Durante a entrevista, Ferreira demonstrou dificuldade na fala. Ele disse que sofreu lesões nas costas, na perna e no peito e se recupera dos ferimentos em casa.

Acidente

A explosão, que foi seguida de um incêndio, aconteceu por volta das 18h30. Segundo a Polícia Federal, os peritos trabalhavam em uma carga apreendida no momento da explosão.

O laboratório fica no setor técnico. A carceragem e as salas dos delegados não chegaram a ser atingidas.

A perícia no local da explosão está a cargo da Polícia Civil e da Polícia Federal no Estado. Inicialmente, a hipótese é de acidente de trabalho.

Fonte: Folha Online

Explosão em sede da PF em Manaus (AM) pode ter sido armadilha, diz associação

O artefato que explodiu ao ser manuseado por Peritos da Polícia Federal (PF) em Manaus (AM), no início da noite desta sexta-feira, pode ter sido uma armadilha, disse Octavio Brandão Caldas Netto, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). A explosão deixou três mortos e um ferido.

Segundo Netto, esta possibilidade somente poderá ser comprovada após a conclusão dos trabalhos periciais. A perícia no local da explosão está a cargo da Polícia Civil e da PF no Estado. Inicialmente, a hipótese é de acidente de trabalho.

"Pelo que fui informado, o cilindro que explodiu havia despertado suspeitas de funcionários dos Correios de Manaus. Eles o furaram e encontraram um pó. Realizaram então, como é de praxe, um teste preliminar para identificar cocaína, e o resultado foi positivo. Em seguida encaminharam o cilindro à Superintendência da PF no estado", explicou o presidente da APCF.

A explosão ocorreu quando os peritos do setor técnico-científico da PF de Manaus manuseavam o cilindro.

"Foi uma explosão fortíssima, que matou o colega Antônio Carlos Oliveira, um perito com 14 anos de experiência na atividade. Pode ter sido uma armadilha, mas ainda é necessário apurarmos para esclarecer se o motivo da explosão foi uma bomba ou um gás inflamável", disse Brandão.

Colega de turma de Oliveira durante o curso de formação para peritos, o Diretor Técnico-Científico da Polícia Federal, Paulo Roberto Fagundes, está a caminho de Manaus juntamente com peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) e com o Diretor Geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

"Montamos uma equipe de sete peritos que analisarão o local, e só teremos informações embasadas a partir da próxima semana. Portanto é cedo para qualquer tipo de conclusão", disse Fagundes momentos antes de embarcar para Manaus.

O Perito Marcos Antônio Mota Ferreira estava em uma sala ao lado no momento da explosão e teria sofrido apenas ferimentos leves. Ele ainda está sob observação.

"É um fato lamentável, decorrente do risco que sempre corremos ao exercer nossas atividades", declarou Brandão.

Fonte: Folha Online