quarta-feira, 12 de março de 2008

Operação Fênix: os detalhes do ataque colombiano que matou o líder das Farc

Cinco vezes Luis Edgar Devia, aliás Raúl Reyes, tinha escapado das tentativas das forças de segurança de "dar-lhe baixa". Em 1º de março de 2008, a onda expansiva de uma bomba pôs fim à vida do número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Dormia profundamente. A última coisa que poderia imaginar era que o exército colombiano fosse alcançá-lo em seu santuário no Equador. Mas do outro lado da fronteira os serviços de inteligência esperavam o momento. E o momento chegou naquela madrugada de sábado.
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O general Freddy Padilla, chefe das forças armadas da Colômbia, estende uma enorme fotografia aérea da região de Piñuña Blanco. Separando os dois países, as águas avermelhadas do rio Putumayo correm em meandros. Algumas manchas amarelas rompem a monotonia verde da vegetação tropical. São "chácaras de coca" abandonadas. "Sabíamos que ele estava em seu acampamento-mãe", explica, mostrando uma cruz vermelha no lado equatoriano, a 1.850 m da fronteira. "E tínhamos a informação de que ia manter um encontro nesse ponto, em território colombiano".
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Desde 2002 as autoridades colombianas haviam-se proposto a decapitar a narcoguerrilha que ensangüenta o país há 40 anos. Reyes era uma prioridade. Tudo estava pronto na sexta-feira, 29 de fevereiro. "Por volta das 22h30, meia hora antes de lançar o ataque, recebemos a informação de que o senhor não viajou", continua Padilla. O presidente Álvaro Uribe dá a luz verde. Não podem perder a oportunidade. Trocam-se as coordenadas dos aviões, que agora são N 00º23'10.66'', W076º20'59.88'': o acampamento-mãe no Equador. Dois Supertucanos decolam. A Operação Fênix está em marcha.
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O Equador denunciou que as aeronaves penetraram 10 km e bombardearam o acampamento das Farc. "Não entramos em seu espaço aéreo", afirma o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos. "O percurso está registrado nos sistemas de navegação. E há um enorme radar equatoriano a 46 km do lugar, que os teria detectado". Quito alega que seu radar não estava funcionando. "Que casualidade", ironiza Padilla, e desenha parábolas e flechas em um papel para explicar que é possível atacar sem ultrapassar a fronteira. "Sabe o que entrou? Quatro helicópteros Blackhawk com tropa de elite e 44 policiais judiciários para registrar e verificar se Reyes estava".
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Os soldados abrem caminho com os visores noturnos até o acampamento. Um deles leva uma câmera no fuzil. Entre os escombros encontram o cadáver de um homem barbado e barrigudo. Objetivo alcançado. Um pouco mais adiante, a câmera enfoca o rosto assustado de uma mulher. Está amarrada, como as Farc costumam manter seus reféns. Tratam seu braço e colocam ao lado dela uma bandeira branca. Fazem o mesmo com duas guerrilheiras feridas. O filme mostra um acampamento estável, com infra-estrutura, desde camas até material de intendência. Os comandos encontram três computadores portáteis e dois discos rígidos externos. Também há US$ 39.900.
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Alguns tiros rompem o silêncio. Começa o combate com o anel de segurança da guerrilha. "O barbudo que queríamos já temos, 'hermano'! Entreguem-se, não se façam matar bestamente" Os atacantes desaparecem. Os helicópteros levantam vôo com o corpo de Reyes, para evitar que as Farc desmintam sua morte. Os agentes policiais ficam resguardando o acampamento.
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À 1 da manhã Uribe telefona para seu colega Correa. Comenta que houve um confronto que ultrapassou a fronteira. Morreram um soldado e cerca de 20 guerrilheiros, entre eles Raúl Reyes. Correa se inquieta: "Onde Reyes caiu?" "Tenho quase certeza de que foi em território do Equador", responde Uribe. "Com um certo rubor", o colombiano admite que não disse que fora uma operação planejada. "Assumo minha responsabilidade. Mas se tivesse comunicado antes tenho certeza de que tudo teria fracassado."
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Imediatamente depois os comandantes militares chamam seus pares equatorianos. "A reação foi solidária", afirma Padilla. "Demos-lhes as coordenadas do lugar e lhes dissemos que tínhamos deixado 44 homens para lhes entregar tudo".
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Mas algo se modifica. Ao meio-dia de sábado, a inteligência colombiana no Equador alerta sobre uma acalorada reunião do presidente com os chefes militares. A decisão de Correa é deter os agentes colombianos. Sem outra escapatória, os 44 homens entram pela selva, dando uma grande volta para evitar tanto o exército equatoriano quanto as Farc. Depois de 11 horas de caminhada a coluna entra na Colômbia. São 7 da manhã de domingo. A Operação Fênix terminou. E começa uma crise diplomática que, apesar das cenas de abraços, está muito longe de encerrada.

Aeroporto de Londrina/PR inicia fiscalização com raio-X

Os passageiros que passaram ontem (11/03/2008) pelo Aeroporto de Londrina foram os primeiros a ter as bagagens de mão fiscalizadas pelo equipamento de raio-X instalado no local pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). A novidade agradou aos usuários, que elogiaram o aumento na segurança para embarcar. A única dor de cabeça foi novamente o mau tempo, que impediu as operações praticamente durante toda a manhã.
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Uma equipe de 30 agentes de proteção da aviação civil está trabalhando, em sistema de escala, 24 horas por dia para controlar o acesso à sala de embarque. A ação tem acompanhamento constante de agentes da Polícia Federal. O equipamento foi remanejado de outro terminal de maior porte. Já os funcionários foram contratados através de uma empresa terceirizada. Também foi instalado um pórtico para detecção de metal na passagem do usuário.
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De acordo com o coordenador de segurança do Aeroporto de Londrina, Gessilney da Paz Gomes, a principal função do equipamento é fazer a detecção de objetos proibidos nas bagagens de mão, como objetos pontiagudos ou cortantes e líquidos inflamáveis. ''A presença dos policiais federais é importante porque eles podem tomar as atitudes necessárias se for encontrado algum tipo de material proibido'', destacou Gomes. O responsável pela segurança do terminal informou, porém, que nenhuma ocorrência foi registrada no Aeroporto de Londrina.
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A novidade foi elogiada por quem embarcava no final da tarde de ontem. Funcionário de uma indústria farmacêutica, Rogério Espíndola, 35 anos, considera o novo equipamento ''excelente e necessário.'' Ele acrescentou que o sistema existe em outros aeroportos e não são considerados um incômodo para os passageiros. ''O que incomoda é (o aeroporto) ficar fechado por falta de equipamentos'', criticou.
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Quem sentiu o problema na pele foi o designer Flávio de Oliveira, 30, que desde a manhã tentava embarcar para o Rio de Janeiro e lamentava o dia de trabalho perdido. Ainda assim, não poupou apoio à iniciativa. ''Deveria ter até um sistema de segurança ainda melhor e não só o raio-X. Tinha que ter até mais policiais no aeroporto'', sugeriu o rapaz, que estava no terminal desde 11 horas. Ele foi vítima do fechamento do aeroporto pelo mau tempo, que impediu as operações por mais de oito horas entre 4h30 e 12h55.

terça-feira, 11 de março de 2008

Primeiro avião "invisível" do mundo, o F-117 sairá de operação

O primeiro avião "invisível" do mundo, o F-117 Nighthawk ("Falcão Noturno"), será aposentado pela Força Aérea norte-americana após 27 anos de uso. O último vôo da aeronave está marcado para o dia 21 de abril de 2008, de Holloman, no Novo México, para Palmdale, na Califórnia, onde militares farão uma cerimônia de despedida. No dia seguinte, o avião fará sua última viagem para Tonopah, em Nevada, local em que fez sua primeira decolagem.
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A Força Aérea decidiu abrir mão do F-117 devido ao alto custo de manutenção. Com a medida, poderá investir recursos em aviões mais modernos que também contam com a tecnologia "stealth", que dificulta o rastreamento por radares inimigos. É o caso do F-22 Raptor e do F-35 Lightning, capazes de realizar manobras bem mais ousadas e voar a altitudes menores.
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O primeiro avião "invisível" foi idealizado pelos projetistas no fim dos anos 70. Seu formato pontudo e irregular, além do revestimento especial, ajudam a defletir as ondas de radar. Os EUA chegaram a fabricar 59 aeronaves com esse modelo, a maioria já em desuso.
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O F-117 foi utilizado pelos militares norte-americanos para invadir o Panamá, em 1989, e foi crucial para o país na Operação Tempestade do Deserto, no Iraque, em 1991. Foi o único avião a atingir alvos no centro de Bagdá devido a sua precisão cirúrgica, segundo a Força Aérea dos EUA. Posteriormente, em 1999, o avião mostrou que não era invencível e foi derrubado pelas forças sérvias em Belgrado.

Incêndio na Superintendência da PF no Paraná

Uma pane nos equipamentos da Polícia Federal (PF), na manhã desta terça-feira (11/03/2008), atrasou a emissão de passaportes em Curitiba. De acordo com a assessoria de imprensa da PF, um nobreak (equipamento que mantém computadores funcionando em caso de falta de energia elétrica) queimou durante a madrugada e impediu que todos os computadores fossem ligados.
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A central de telefones da sede da PF, no bairro Santa Cândida, em Curitiba/PR, também foi afetada. O sistema só voltará ao normal depois que o equipamento for trocado. A previsão da PF é que até o meio-dia o atendimento seja normalizado. Cerca de 300 pessoas procuram a PF diariamente em busca do passaporte. O atendimento é feito por agendamento no site da PF.
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Fonte: Gazeta do Povo

A história do "James Bond russo"

Sergei Tretyakov gostaria de ter certeza de que a sua vida não corre perigo. "Se um motorista ensandecido me atropelar, todo mundo saberá que isso foi obra de Moscou", explica em entrevista ao "Le Monde" este antigo agente secreto russo, que se partiu para o lado do "inimigo". Hoje com 51 anos, este desertor, que descreve a si mesmo como sendo "o verdadeiro James Bond", vive uma aposentadoria dourada numa localidade americana que ele prefere não revelar o nome. Ele mora numa mansão confortável, num bairro onde os seus vizinhos jogam golfe e o convidam para churrascos. A sua mulher, Helen, é vista geralmente dirigindo uma Porsche, enquanto a sua filha, Ksenia, é diplomada de uma universidade que pertence à prestigiosa rede Ivy League. A família Tretyakov saboreia o "sonho americano", às custas da CIA (Agência Central de Inteligência).
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Este ex-coronel da KGB (o antigo serviço de inteligência soviético) dá mostras do fervor dos recém convertidos. "Eu não sou um traidor, sou antes um patriota americano", afirma. Escondido por trás da banal função de responsável dos serviços de imprensa, na representação da Rússia na ONU, cargo que ele utilizava como cobertura, Sergei Tretyakov foi, de abril de 1995 a outubro de 2000, o principal espião do seu país em Nova York. Durante mais de dois anos, ele também informou o FBI e a CIA das intenções, principalmente as menos confessáveis, da Rússia de Boris Ieltsin e de Vladimir Putin, entregando para os serviços americanos cerca de 5.000 telegramas classificados como "top secret" e mais de 100 relatórios sigilosos. Considerado como um dos melhores recrutas da história recente da contra-espionagem americana, ele é também o mais bem remunerado de todos os desertores russos.
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No que vem a ser o cúmulo do insulto para com o serviço de inteligência externo russo (cuja sigla é SVR, o sucessor da ex-KGB), Tretyakov contou os detalhes da sua história para um antigo jornalista do "Washington Post", Pete Earley. O resultado das suas confissões é um livro singular, "Comrade J" (editora Putnam) -que entrou rapidamente na lista dos best-sellers-, uma biografia que desmistifica o mundo da espionagem.
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O "Camarada João" (o seu codinome) não revelou seus segredos nem por dinheiro - ele não fez nenhuma exigência neste sentido -, nem pela glória - ele abriu mão de todo controle editorial. "Toda pessoa que se volta contra o seu dever para com a sua pátria sente a necessidade de explicar as razões do seu gesto", argumenta Pete Earley. O interessado diz que a sua intenção foi de "despertar a América" para "a ameaça russa". Depois do lançamento do livro, no final de janeiro, o SVR achou por bem lembrar que "a traição constitui um crime que deve ser punido pela lei".
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Quando chegou a Manhattan, em abril de 1995, Sergei Tretyakov era um outro homem: um espião promissor e consciencioso, formado na escola soviética. Ao assumir as suas funções, ele se instalou no "submarino" do SVR, no 8º andar da missão russa junto à ONU, num apartamento situado acima daqueles dos diplomatas "normais". Para entrar no recinto, era preciso acionar um mecanismo secreto por meio de uma moeda ou de uma aliança. As paredes eram reforçadas por placas de ferro e por um sistema de grades que vibravam constantemente de modo a impedir as escutas. O apartamento não tinha janela e estava isolado da estrutura do restante do edifício por um mecanismo de suspensões. Para entrarem em contato com as suas "fontes", os agentes do SVR utilizavam os telefones públicos da loja de departamentos Bloomingdale's, na Rua 59.
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O fim da guerra fria em nada alterou as prioridades russas. "Os alvos principais permaneceram situados nos Estados Unidos, na Otan e na China", explica o agente secreto. Para coletar certas informações, todos os golpes eram permitidos: valia lançar mão de manipulações, de chantagem, e, em muitos casos, da exploração de sentimentos antiamericanos que podiam nutrir diplomatas estrangeiros, inclusive aqueles que representavam países amigos de Washington. Entre esses últimos, alguns ofereceram os seus serviços até mesmo a preço de banana. "Eles traíam o seu país e arriscavam ser executados como espiões, tudo isso por algumas centenas de dólares em bugigangas de ouro, compradas em lojas de departamentos", ironiza o espião no seu livro. Os jornalistas também constituíam alvos privilegiados. "Se um diplomata russo o convidar para uma estada de graça num hotel cinco estrelas e se ele pagar sem solicitar um recibo, pode ter certeza de que ele é um agente do SVR", avisa Tretyakov. Na época em que ele operava no SVR, um repórter japonês, cujo codinome era "Samurai", foi recrutado desta forma.
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Muitas das afirmações do agente secreto russo são impossíveis de verificar. Mas, segundo ele, Eldar Kouliev, que foi nomeado embaixador do Azerbaijão na ONU em 1994, era de fato um dos agentes do SVR, os quais, com freqüência, são recrutados quando ainda estão estudando na universidade, e então infiltrados na diplomacia dos seus próprios países. Rashid Alimov (cujo codinome era Emir), o embaixador do Tadjiquistão, teria sido recrutado pelo SVR com a promessa de receber um apartamento de graça e um posto de professor em Moscou. Para obter prestações de serviços de Alisher Vohidov, o embaixador do Uzbequistão, o SVR o teria pressionado por meio de chantagem envolvendo o seu passado como informante da KGB.
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Segundo Tretyakov, um dos golpes mais bem-sucedidos do SVR foi ter obtido a nomeação de um dos seus agentes, Alexander Kramar, para um cargo estratégico no programa da ONU "Petróleo contra alimentos", que se destinava supostamente a atenuar os efeitos do embargo sobre a população iraquiana. A partir de julho de 1999, Kramar passou a ser o único funcionário habilitado a controlar a cotação do petróleo bruto iraquiano, e permitiu que personalidades russas pudessem obter lucros de US$ 0,35 por barril a partir dos bônus de compra que lhes consente Saddam Hussein, para um faturamento total estimado por Pete Earley em US$ 500 milhões. Kramar "ajudava os membros da oligarquia em volta do presidente Ieltsin a roubarem", afirma Tretyakov, que na época julgava o episódio vergonhoso para a Rússia.
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Mas a espionagem também pode chegar a cometer os seus tropeços. Após ter agendado um encontro com Henry Kissinger por intermédio da sua firma de consultoria, um falso diplomata russo se viu obrigado a cancelar tudo ao dar-se conta de que a conversa com o antigo secretário de Estado americano estava prestes a lhe custar não menos de US$ 100 por minuto.
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Quando e como Sergei Tretyakov começou a espionar a serviço do FBI e da CIA? Ele não está autorizado a revelar. "A minha família e eu chegamos à conclusão de que era imoral servir o nosso governo", explica, evitando fornecer maiores detalhes e insistindo que ele "nunca pediu qualquer remuneração" para tanto. Na época em que esta mudança ocorreu, ele estava gostando muito de viver em Nova York e não perdia nenhum episódio de "Seinfeld" e "Friends". Segundo Pete Earley, a "chave" é a sua filha, que ele não queria ver construindo a sua vida na nova Rússia. Daqueles anos, Sergei se recorda de que "o medo, neste contexto, é o pior inimigo", sobretudo sabendo que, caso ele for descoberto, ele será "enviado para seis pés debaixo de terra".
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Na manhã de 11 de outubro de 2000, ao despertar, Sergei Tretyakov tomou a decisão de que "já estava na hora" de acabar de uma vez por todas com esta vida dupla. Acompanhado pela mulher, filha, e pelo seu gato Matilda, ele colocou alguns pertences dentro do porta-malas do carro, no subsolo do prédio insalubre de Riverdale, no Bronx, onde vivem os diplomatas russos. Pela última vez, ele anunciou a sua identidade para o guarda de segurança, ficou aguardando, conforme os procedimentos de praxe, que a barreira se fechasse atrás dele, e começou uma nova vida. Sem nenhum remorso? "Eu não sinto nostalgia alguma, pois o meu país deixou de existir", assegura hoje.
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Fonte: Le Monde

segunda-feira, 10 de março de 2008

O que Abadía e Hello Kitty têm em comum ?

Você nunca mais verá a Hello Kitty com olhos inocentes. A culpa é do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. Quando foi preso em São Paulo, em agosto do ano passado, os delegados da Polícia Federal ficaram intrigados com a quantidade de imagens da gatinha japonesa que ele guardava nos computadores. Eram quase 200 imagens, quase todas enviadas por e-mail.

A surpresa maior foi a descoberta de que a Hello Kitty não era só uma Hello Kitty. Havia mensagens de voz e de texto escondidas nas imagens. Algumas delas podem mudar o destino de Abadía no Brasil: elas contêm ordens para movimentar cocaína entre países e para sumir com pessoas na Colômbia, segundo análise feita pelo DEA, a agência antidrogas dos EUA. Para os americanos, Abadía continuou a comandar o tráfico na Colômbia mesmo após se mudar para o Brasil.

A mulher de Abadía, Yessica, é fanática por Hello Kitty. Um dos quartos da casa em que ela vivia em Aldeia da Serra (Grande SP) tinha cadeiras, relógios e papel de parede da Hello Kitty.

O DEA ajudou a PF porque o Brasil não teria toda a tecnologia necessária para fazer a investigação. A técnica de computação usada para esconder uma mensagem de voz em uma imagem é conhecida como esteganografia. A Al Qaeda utilizou essa técnica para preparar os atentados de 2001.

Hello Kitty não era o único disfarce para as ordens de Abadía. Algumas mensagens continham fotos de crianças.

As ordens podem mudar a situação de Abadía no Brasil porque ele é réu num processo em que é acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsificação de documentos.

A eventual comprovação de que ele continuou a comandar o tráfico a partir do Brasil pode levar o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, a rever o parecer favorável à extradição do colombiano.

Caso fique provado que Abadía traficou no Brasil, o pedido feito pelos EUA ao Supremo Tribunal Federal poderá ser negado. Toda a argumentação pró-extradição é baseada na hipótese de que Abadía não praticou crimes graves no Brasil.

Nos Estados Unidos, o traficante é acusado de tráfico internacional e de ter ordenado a morte de 15 pessoas. A pergunta óbvia é: se ele praticou os mesmos crimes no Brasil, por que mandá-lo para os EUA?

Pesa na balança pró-extradição a informação de que Abadía enviou toneladas de cocaína para os EUA, o que lhe rendeu uma fortuna de US$ 1,8 bilhão, segundo estimativa do DEA.

Há outros indícios de que Abadía continuou a comandar o Cartel do Vale do Norte, na Colômbia, depois que chegou ao Brasil, em 2004, vindo de veleiro da Venezuela. Esse cartel é considerado pelos EUA como o mais poderoso da Colômbia.

A agência antidrogas dos EUA diz ter registros de que três aviões de Abadía foram abatidos na Colômbia, México e Caribe entre 2005 e 2007, quando ele vivia no Brasil. Cada um dos aviões abatidos transportava de duas a quatro toneladas de cocaína, segundo a agência. A tonelada é vendida por US$ 3 milhões nos EUA.

Os aviões derrubados haviam sido comprados no Brasil por Abadía, de acordo com os policiais americanos. Todos registram passagens pelo Campo de Marte, em São Paulo.

Os agentes citam o depoimento do próprio Abadía à Justiça para reforçar a informação de que os aviões eram comprados no Brasil. Abadía contou que o piloto André Luiz Telles Barcellos, que trabalhava para ele, comprou no Brasil um King Air B90, posteriormente vendido ""para um terceiro na Venezuela". O King Air cumpre um dos requisitos do narcotráfico: pousa em pistas de terra. Outro avião que o traficante teria usado era o Gulfstream G1.

Barcellos confirmou que levou o avião à Venezuela. A PF não pediu detalhes à Venezuela sobre a suposta venda.

O DEA acusa o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, de ser conivente com o narcotráfico. Chávez, que expulsou o DEA do país, diz que os americanos usavam o tráfico como pretexto para espionar.
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Fonte: Folha de São Paulo

sábado, 8 de março de 2008

A prisão do "Senhor das Armas"

Os três computadores portáteis de Raúl Reyes, o número 2 das Farc, recolhidos pelos militares colombianos, são uma fonte de informações sobre os bastidores do terrorismo como poucas vezes se viu.
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Pela leitura dos arquivos digitais percebeu-se que o acampamento servia como uma minicentral terrorista internacional.
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A correspondência entre o secretariado das Farc e Hugo Chávez confirma a ajuda financeira do presidente venezuelano. Os terroristas receberam 300 milhões de dólares e a oportunidade de criar empresas de investimentos na Venezuela, com possibilidade de obter contratos públicos no país. Chávez, veja só, tem uma dívida de gratidão pelos 150 000 dólares presenteados pelas Farc quando ele esteve preso.
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Registros comprometedores mostram que o presidente do Equador, Rafael Correa, enviou seu ministro de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, para "oficializar as relações com a direção das Farc". Correa estaria disposto a "trocar comandos da força pública com comportamento hostil" às Farc na região. Em troca, pediu às Farc que coordenassem "cursos de organização de massas para nativos da fronteira".
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O Brasil é mencionado nos documentos como um dos possíveis membros do Grupo Bolívar, conjunto de países que reconheceriam as Farc como força beligerante e receberiam terroristas em seu território.
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A diplomacia terrorista não se limitava à América Latina. As Farc mantinham contatos com partidos comunistas europeus e com os terroristas bascos da ETA.
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Com base num dos arquivos de Reyes, a polícia tailandesa pôde prender, na semana passada, o mais notório traficante internacional de armas, o tadjique Victor Bout. Um sinistro fornecedor de armamentos para as Farc e para as guerras tribais africanas, ele serviu de inspiração para o personagem vivido por Nicolas Cage no filme O Senhor das Armas.

Miss do "Big Brother" faz apologia ao sexo sem camisinha


Surge mais uma pérola do "Big Brother Brasil 8". A miss gaúcha Natália Casassola, 22, fez apologia ao sexo sem proteção.
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Em conversa com o médico Marcelo Arantes, Natália disse que sexo bom é sem camisinha. O psiquiatra tentou convencer a miss de que relações sexuais com preservativo são mais seguras. "Com [camisinha] você pode fazer à vontade."
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Durante festa do "Big Brother", Natália diz que bom é fazer sexo sem camisinha. O psiquiatra tentou convencer a miss de que relações sexuais com preservativo são mais seguras. "Com [camisinha] é o certo, mas bom é sem", repetiu a miss.
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O médico disse: "Quando aprende a fazer com [camisinha] é uma maravilha."
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A gaúcha tem chocado a casa com suas opiniões liberais. Ela já admitiu ter feito sexo anal e questionou Marcos e Rafinha se eles já tiveram esse tipo de prática com suas namoradas.
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O vídeo em que Natália elogia o sexo sem camisinha já está no Youtube, com acesso restrito a usuários cadastrados do site.
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No mês passado, o Ministério da Saúde chegou a enviar uma carta de elogio ao "Big Brother" por ter fantasiado participantes de mosquito da dengue, alertando os telespectadores sobre o risco da doença.
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A cena em que Natália fala bem do sexo sem proteção não foi exibida pela versão que a Globo põe no ar, após as 22h (horário de Brasília).
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Atualmente, autoridades de saúde no mundo inteiro clamam aos jovens que façam sexo com camisinha, a fim de evitar a explosão de casos de Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.

quinta-feira, 6 de março de 2008

PF de Londrina prende homem com R$ 25 mil em notas falsas

Polícia Federal de Londrina prendeu em flagrante nesta quarta-feira (05/03/08) um homem acusado de distribuir notas falsificadas na região. Reginaldo Guilhermino da Silva, de 38 anos, foi detido na BR 369, no município de Cambé, e portava R$ 25 mil em notas de R$ 10 e R$ 50, segundo o delegado da PF, Evaristo Kuceki.
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Em entrevista ao programa "Tempo Quente", da TV Tarobá, o delegado disse acreditar que as notas façam parte de um lote de R$ 100 mil e que parte desse montante já foi distribuída na região. Kuceki considerou as notas de "média qualidade" em comparação a outros casos de falsificação. A PF apurou que o dinheiro ilegal pode trer vindo de São Paulo.

Google: "Ninguém mais pode se esconder"

O que há em comum entre Daniella Cicarelli, Edir Macedo, Preta Gil, Roque Júnior, Eurico Miranda e Rubens Barrichello?
Todos têm ou já tiveram problemas com o Google --ou com seus tentáculos mais populares, Orkut e YouTube. E o que o presidente do conglomerado no Brasil, Alexandre Hohagen, 40, tem a dizer sobre essa relação conturbada com as celebridades brasileiras?
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Isso você lê na entrevista abaixo, com declarações ainda sobre privacidade na web, mudanças radicais no Orkut e inclusão de publicidade nos vídeos do YouTube.
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À Folha Online, Hohagen comenta também, pela primeira vez, o processo por danos morais de Jeremias José do Nascimento (ou Jeremias "Muito Louco", para os internautas) contra o Google, oito empresas de comunicação, duas pessoas físicas e uma loja de camisetas.
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"Está claramente evidenciado que algum advogado quer se beneficiar da situação", afirma. Sobre isso, a reportagem tenta, desde terça-feira ouvir os advogados de Jeremias --sem sucesso.
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Quando o YouTube começará a receber publicidade dentro dos vídeos na versão brasileira?
Alexandre Hohagen - Essa publicidade em cima dos vídeos deve entrar no Brasil daqui uns dois ou três meses. Isso já existe lá fora, chama-se, "in-video ad".
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O que você pensa quando vê vídeos do YouTube dando audiência para programas sem assunto da TV aberta?
Hohagen - Acho ótimo que a TV aberta passe esse conteúdo. Isso ajuda a levar a audiência de volta para o site e faz do negócio uma experiência viral. Muitos vídeos que tiveram sucesso na internet foram catapultados pela exposição no mundo "off-line". Nós temos exemplos como aquele do Mentos, com muita repercussão. Imagina o impacto que isso tem quando o William Bonner fala disso! Não tem o menor problema para nós.
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E aquelas mudanças no Orkut, com inclusão de programinhas feitos pelos próprios internautas? Quando chegam?
Hohagen - Essa chega daqui umas duas ou três semanas. Me mandaram um e-mail com link de todos desenvolvedores que já começaram a fazer produtos para essas novas plataformas abertas do Orkut. Tem um monte! Está show, muito legal mesmo. Alguns funcionários têm acesso para poder testar e dar "feedback", dizer o que funciona melhor, onde podemos posicionar esses gadgets. Já tem muita gente fazendo sem a gente ter lançado a plataforma ainda. O lançamento ocorre daqui umas duas ou três semanas.
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O que você acha desses "Google bomb"? [manobras de blogueiros para influenciar os resultados do Google, normalmente em tom humorístico ou de protesto]
Hohagen - Tem muito agora, né? Não sei... eu, sinceramente, acho que essa é uma demonstração evidente da Web 2.0.
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O Google ultimamente tem recebido mais processos de celebridades do que o normal...
Hohagen - Esses dias eu mandei um link de vídeo para um amigo e ele disse que não podia abrir, porque a corporação não deixa ele acessar YouTube lá dentro. Fiquei pensando, nossa, isso é um absurdo. De uma certa forma, você está impedindo que algumas pessoas vejam aquilo que está acontecendo no mundo.
Da mesma forma acho que essas personalidades têm que entender. Elas não sabem lidar com a internet, porque quanto mais você combate, mais interesse gera. O caso do vídeo da Cicarelli é um exemplo tradicional. No momento em que ela entrou com processo na Justiça, pode ver, triplicou o número de "views".
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Eu nem lembrava mais do vídeo naquela época...
Hohagen - Pois é, [as pessoas] nem lembravam! Eu tenho a seguinte teoria quando me perguntam qual o futuro da internet: o futuro da internet está muito ligado à perda da sua privacidade e... não, melhor falando: você disponibiliza tantos dados para tornar sua vida mais relevante que isso vai criar uma linha tênue entre o quanto você libera da sua informação e o quanto isso vai tirar sua privacidade.
Para você ter uma experiência relevante na internet, você tem que falar um pouco de você. O que você gosta? O que curte? Qual é seu time de coração? Esse é o preço que você paga para estar navegando de uma maneira muito mais relevante. O cuidado que as pessoas tem que ter é esse. Onde está o limite entre você informar dados a seu respeito e quando isso passa da privacidade.
Você acha que há liberdade de expressão demais na rede? Hohagen - Não. Acho que as pessoas vão ter que se adaptar, aprender a conviver com esse contexto. Ninguém pode mais se esconder. A relação entre as pessoas é pública, a relação entre as empresas e seus consumidores também, entre as pessoas públicas e a população também. Hoje com meu celular aqui, se eu vir que tem alguém lá embaixo fazendo uma coisa errada, eu posso tirar uma foto e daqui a dois minutos isso estará no mundo inteiro.
Não adianta mais você querer que protejam sua privacidade num mundo em que o eixo do poder mudou completamente. Antes, estava na mão das grandes organizações de comunicação, hoje está na mão de todo mundo.
Não acho que seja excesso de liberdade de expressão, não, porque a gente tem que ter esse excesso. O problema é como as pessoas vão lidar com isso. Desde que não passe o limite da vulgaridade, do bom senso, de não ferir as pessoas....aí eu sou totalmente contrário. Juntar um monte de gente só para dizer que a Preta Gil é uma baleia é um absurdo, uma sacanagem.
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E o caso do Jeremias, que não era celebridade, e está processando o Google?
Hohagen - No caso do Jeremias está claramente evidenciado que algum advogado quer se beneficiar da situação. Aí chegou para o coitado e falou: "você quer ganhar uma grana?" Cara, a sociedade sempre foi assim, não mudou nunca. Aposto que na sua escola tinha alguém que vocês ridicularizavam. Na minha teve. A sociedade sempre foi assim. O problema é que hoje você tem meios de fazer isso de maneira massiva.